Vive-se muito. As pessoas estão chegando aos 100. E se a vida é tão longa, a saúde e a disposição devem ser prolongadas também.
No início do século XIX, chegar aos 26 anos era muito. Duzentos anos depois, no século XXI, a expectativa de vida pulou para 84 anos. O homem criou antibióticos e vacinas, descobriu o saneamento básico, dominou o mecanismo de muitas doenças e prolongou a vida. "Tempo já temos de sobra", diz o médico cearense Ítalo Rachid, porta voz da Academia Mundial de Medicina Anti-Aging (A4M), fundada em 1992. Considerada especialidade nos Estados Unidos, onde tudo começou, e prática médica reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), a Medicina Antienvelhecimento, como é conhecida no Brasil, prega a prevenção para envelhecer bem.
"Na América Latina, o médico é focado no tratamento de doenças. A Medicina Anti-Aging é a resposta para o envelhecimento. Ela torna prioridade a prevenção. Hoje os Estados Unidos gastam bilhões para manter velhinhos vivos usando quatro remédios. Vai quebrar. Não dá mais para se aposentar aos 65 anos", diz Ítalo, que participou do I Workshop Internacional de Medicina Anti-Aging no Brasil, realizado em agosto em São Paulo. O evento marcou a chegada oficialdo Anti-Aging ao País.
O termo ainda é polêmico. O profissional de educação física Rossman Cavalcante, é contra o próprio nome. "Envelhecer é inexorável. O que vai mudar é o gerenciamento dos sintomas associados ao envelhecimento. Prefiro o termo envelhecimento bem sucedido. Negar é retrocesso. Sei que tem apelo importante, principalmente no público feminino, mas pode ser um tiro no pé. As pessoas acabam confundindo as coisas, usam hormônios de forma abusiva, suplementos de forma descontrolada, cirurgia plástica em excesso", alerta. Ítalo Rachid reconhece a conotação pesada do prefixo anti, mas diz que as críticas ficam na terminologia, não no conteúdo. "Temos 32 especialidades nesse movimento. Não é medicina alternativa, é medicina embasada em fisiologia. Dá para reduzir a incidência de 90% das comorbidades relacionadas ao envelhecimento".
O médico Luis Wagner Gonzaga, um dos primeiros a trabalhar com Medicina Antienvelhecimento em Fortaleza, diz que saiu da faculdade pensando em cuidar de doentes. "Hoje reconheço que o importante é entender de Fisiologia e Bioquímica. Meu propósito é manter meus pacientes saudáveis".
A receita
A receita básica é conhecida: prática regular de atividades físicas, boa alimentação e hábitos saudáveis. A tecnologia acrescenta à receita novos ingredientes contra os "males da idade". A modulação de hormônios bioidênticos é um deles. Com configuração tridimensional idêntica a dos hormônios naturais, os bioidênticos podem corrigir todas as "pausas" provocadas pela queda de produção natural a partir dos 30 anos.
Ítalo Rachid é resultado de seu próprio experimento. Aos 50 anos não aparenta mais que 40. Nos testes que avaliam a idade física do organismo tem 29. As intervenções estéticas, cada vez menos invasivas, também entram na receita da Medicina Anti-Aging, assim como os diagnósticos precoces feitos por máquinas que ainda nem chegaram ao Brasil e pela engenharia genética.
Reportagem de Mariana Toniatti, Jornal O Povo, 12 de Setembro 2009
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